CAOS
Já faz mais de um mês que estou neste quarto de hospital, enclausurado numa cama individual, as pernas engessadas, alguns aparelhos de rotina à minha direita, uma televisão no tecto sempre desligada (ou avariada, nem sei), na mesa de cabeceira uma pilha de cartas de remorso que o filho de Rousseau me enviou, preocupado com a demora da minha recuperação, ao lado das cartas a resma dos livros com que tenho passado a maior parte do tempo, quatro ou cinco do Henry Miller, dois do Sade, o “Equador” do Miguel Sousa Tavares só para dizer que o tenho, alguns do Saramago para o mesmo efeito, ainda um outro do Paulo Coelho para impressionar as enfermeiras, e um último – que estou a ler neste momento – sobre teoria do Caos.
Esta nova ciência tem-me dado a volta ao miolo!... Não tomava conhecimento de entrelinhas do mundo tão desconcertantes desde a adolescência, quando descobri coisas como a derrota do programa de Hilbert, a omnipresença mágica do número Pi, os teoremas de Godel ou a masturbação!
E dirá agora o meu amigo relativista: “Com que então, solipsista, andas a ler um livro sobre Caos!... Um tipo ortodoxo como tu a transgredir o lema reduccionista! Quem diria!...
Pois bem, confesso que levei um tabefe profundo na minha concepção prévia da realidade, isso é um facto... mas calma lá com as extrapolações. Ainda não foi desta que mudei de equipa. Evidentemente, não vou explicar aqui a forma como concilio o Caos e a ciência normal numa epistemologia comum, mas alerto desde já aqueles que adoram terminologias dúbias e sugestivas – como “caos” – para que não caiam no erro de levar a palavra à letra. Einstein cometeu um erro parecido ao dar à sua teoria o nome de relatividade – em vez de invariância – e foi o que se viu: legiões de novos profetas a proclamar em nome do mestre que tudo será, doravante, relativo. Desta vez, os teóricos ainda foram a tempo de trocar o termo caos pela bem mais inócua definição de “Estudos da complexidade”, não fossem elevar-se das trevas legiões de vozes a proclamar que tudo será, doravante, caótico! Mesmo assim, continuo a preferir o termo caos, portanto será esse que, doravante, irei usar!
Aliás, a teoria do caos, ao invés de proclamar a anarquia universal, limita-se a procurar a ordem subjacente à desordem, a investigar a estrutura daquilo que é aparentemente caótico, sondando padrões e regularidades nos sistemas até recentemente considerados insondáveis, dada a sua complexidade. A novidade está na abordagem holística desta nova ciência. Em vez de decompor o problema nas suas partes, toma o sistema na sua totalidade, com “ruído” incluído, e interpreta os seus timbres implícitos e a sua natureza global. Em suma, pela primeira vez em ciência, eis uma ferramenta potencial para compreender as mulheres...
Ainda muito terei a dizer sobre este método peculiar de busca da verdade. Mas agora não posso, que é hora de colocá-lo em prática: Vem aí outra vez a enfermeira...
Esta nova ciência tem-me dado a volta ao miolo!... Não tomava conhecimento de entrelinhas do mundo tão desconcertantes desde a adolescência, quando descobri coisas como a derrota do programa de Hilbert, a omnipresença mágica do número Pi, os teoremas de Godel ou a masturbação!
E dirá agora o meu amigo relativista: “Com que então, solipsista, andas a ler um livro sobre Caos!... Um tipo ortodoxo como tu a transgredir o lema reduccionista! Quem diria!...
Pois bem, confesso que levei um tabefe profundo na minha concepção prévia da realidade, isso é um facto... mas calma lá com as extrapolações. Ainda não foi desta que mudei de equipa. Evidentemente, não vou explicar aqui a forma como concilio o Caos e a ciência normal numa epistemologia comum, mas alerto desde já aqueles que adoram terminologias dúbias e sugestivas – como “caos” – para que não caiam no erro de levar a palavra à letra. Einstein cometeu um erro parecido ao dar à sua teoria o nome de relatividade – em vez de invariância – e foi o que se viu: legiões de novos profetas a proclamar em nome do mestre que tudo será, doravante, relativo. Desta vez, os teóricos ainda foram a tempo de trocar o termo caos pela bem mais inócua definição de “Estudos da complexidade”, não fossem elevar-se das trevas legiões de vozes a proclamar que tudo será, doravante, caótico! Mesmo assim, continuo a preferir o termo caos, portanto será esse que, doravante, irei usar!
Aliás, a teoria do caos, ao invés de proclamar a anarquia universal, limita-se a procurar a ordem subjacente à desordem, a investigar a estrutura daquilo que é aparentemente caótico, sondando padrões e regularidades nos sistemas até recentemente considerados insondáveis, dada a sua complexidade. A novidade está na abordagem holística desta nova ciência. Em vez de decompor o problema nas suas partes, toma o sistema na sua totalidade, com “ruído” incluído, e interpreta os seus timbres implícitos e a sua natureza global. Em suma, pela primeira vez em ciência, eis uma ferramenta potencial para compreender as mulheres...
Ainda muito terei a dizer sobre este método peculiar de busca da verdade. Mas agora não posso, que é hora de colocá-lo em prática: Vem aí outra vez a enfermeira...

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This is very interesting site... » » »
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