Homenagem a meia dúzia de amigos meus...
Nos últimos tempos o monopólio das conversas de café tem sido assaltado por uma palavra com força própria: O desemprego. Eis um dos termos mais temidos e badalados da actualidade. Muitas lágrimas tenho visto às custas deste flagelo!... Aliás, pior que lágrimas: olhos apáticos, focados no infinito, ausentes mesmo quando se lhes estala os dedos à frente do nariz... os traços de decadência confundem-se facilmente com os da toxicodependência, mas num grau mais alarmante visto que no toxicómano, apesar de tudo, encontramos empenho e ambição na procura de cada novo chuto, para não falar na solução rápida e acessível que o chuto em si já oferece. Infelizmente, não há chutos destes para os desempregados; parecem drogados esquecidos da droga que consomem... uma tristeza!
Para esses, ofereço-lhes aqui duas soluções: A primeira, em que decerto muitos já terão pensado, consiste justamente em meterem-se no pó (sem descurar, claro, tantas outras drogas igualmente alienantes; podia, por exemplo, sugerir uma sessão solitária com ácidos na varanda de um vigésimo quinto andar).
A segunda solução requer uma maior mobilização por parte do caro desonerado e um maior esforço pedagógico da minha parte: Ocorreu-me que, da mesma forma que os grandes pensadores sempre necessitarem de tempo e espaço para pensar, também os desempregados podiam aproveitar e unir forças para meditarem sobre questões universais. Com tanto desemprego em Portugal, estou em crer que rapidamente floresceria aqui um novo período helénico, com avenidas cheias de gente em pose de estatueta de Rodin, ruminando sobre questões fundamentais da existência. Seria um novo Renascimento, o despertar de um neo-iluminismo cheio de promessas... em vez da choradeira materialista, a epopeia idealista... em vez do receio da desnutrição, a desnutrição gloriosa... em vez da lamentação do desemprego, o heroísmo da empresa mental... e talvez, quem sabe, no final se chegasse a alguma conclusão...
Para esses, ofereço-lhes aqui duas soluções: A primeira, em que decerto muitos já terão pensado, consiste justamente em meterem-se no pó (sem descurar, claro, tantas outras drogas igualmente alienantes; podia, por exemplo, sugerir uma sessão solitária com ácidos na varanda de um vigésimo quinto andar).
A segunda solução requer uma maior mobilização por parte do caro desonerado e um maior esforço pedagógico da minha parte: Ocorreu-me que, da mesma forma que os grandes pensadores sempre necessitarem de tempo e espaço para pensar, também os desempregados podiam aproveitar e unir forças para meditarem sobre questões universais. Com tanto desemprego em Portugal, estou em crer que rapidamente floresceria aqui um novo período helénico, com avenidas cheias de gente em pose de estatueta de Rodin, ruminando sobre questões fundamentais da existência. Seria um novo Renascimento, o despertar de um neo-iluminismo cheio de promessas... em vez da choradeira materialista, a epopeia idealista... em vez do receio da desnutrição, a desnutrição gloriosa... em vez da lamentação do desemprego, o heroísmo da empresa mental... e talvez, quem sabe, no final se chegasse a alguma conclusão...

1 Comments:
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